“BANZINGA!” – Nerds com muito orgulho
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Nerds e a saudação “vulcana”, que
ficou eternizada na série
“Star Trek” (Jornada nas Estrelas), um clássico nerd |
Eles estão por toda parte. Nas escolas, faculdades,
praças, cyber/ lanhouses, nas mais diversas empresas (até na redação do RH). Com
visual exótico e de fala muitas vezes incompreensível para alguns, eles
representam um grupo social que durante anos foi reprimido e considerado como
“perdedores”. São os Nerds, que no dia 25 de maio
comemoram seu dia internacional.
A origem do termo “nerd” é um mistério. Há quem diga que seja uma simplificação de “knurd”, o contrário de “drunk” (bêbado, em inglês). Isso porque,
quando o termo se popularizou, nerds eram tidos como desajeitados, não
sociáveis e desprezados por não serem populares.
Outra vertente diz que o nome seria uma abreviação
de NorthernElectric
ResearchandDevelopment (Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da
companhia Northern Electric do Canadá, hoje Nortel), para identificar os
funcionários que ficavam até madrugadas nos computadores, desenvolvendo
projetos de tecnologia, sem qualquer tipo de vida social.
No entanto, Nerds passaram a ser bem mais populares
que há 30 anos, principalmente com o fortalecimento da Internet. Criaram blogs,
sites, são retratados nos cinemas, em programas e séries de TVs (quem não ri do
Sheldon Cooper, de The Big BangTheory?) e nos eventos
temáticos, como ‘Jedicon’, “Comicon’ ou mesmo os eventos de animes ou matsuris. Isso tudo com o
apoio de ‘nerds famosos’, como Steve Jobs, Steven Spielberg, Bill Gates e,
acreditem, Barack Obama.
“Nerds se popularizaram por se destacarem em meio às
outras pessoas. Sem contar que a inteligência é um dom que faz esse mundo
girar. Conhecimento no mundo atual é poder. E por criar grandes maravilhas que
contribuem para o avanço desse universo, eles, os nerds, merecem respeito
supremo”, disse Gisele Fernandes, estudante de Letras e nerd assumida.
Há muitas vertentes dos nerds, porém os mais
conhecidos são: Geeks, que tem foco em tecnologia e ciência em geral; Gamers,
amantes de jogos, sejam de plataforma, PCs, entre outros;Otakus, fãs da cultura
japonesa, que inclui animes, mangás e cosplay;Fanbases (ou Fandon), de fãs de séries como Star Wars
(star warriors), Star Trek (trekkers), Harry Potter (potterianos ou potterheads) ou Senhor
dos Anéis (LordofRingsFans).
Curiosidade
O Dia
Internacional do Orgulho Nerd foi criado na Espanha em 2006 e a data (25 de
maio) foi escolhida para comemorar a primeira exibição (première) do filme “Star Wars”
(Guerra nas Estrelas), em 1977. No mesmo dia, são comemorados o “Dia
da Toalha”, para os fãs da "trilogia" O Guia do Mochileiro das Galáxias, em homenagem ao seu escritor
Douglas Adams, e o “Glorioso 25 de Maio”, para os fãs da série Discworld, em homenagem
ao seu escritor Terry Pratchett.
GEEKS - Tecnologia e
informação: quanto mais, bem melhor
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Jorge
Armany: “Temos uma atração para os gadgets,
como
smartphones, notebooks e tablets. E não é barato
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Celulares, notebooks, games, tablets, TVs, aparelhos de MP3 ou MP4 (ou ainda MP5, MP6, etc.) e
muito mais. Coisas assim fazem da vida de um geek um tremendo paraíso. Geeks passam o tempo visitando sites e
blogs especializados em tecnologia para saber sobre os lançamentos que surgem
quase que diariamente.
Mas, para ser geek, não basta apenas querer saber a
respeito do novo tablet que saiu no
mercado. É preciso tê-lo em mãos. E para isso, “bala na agulha” (ou seja,
grana) é mais do que fundamental.
O programador Jorge Armany, sempre se considerou um
geek. Aos quinze anos começou a trabalhar com manutenção de computadores, o que
só aumentou sua curiosidade por tecnologia. E, claro, lhe ajudou a ter seus
próprios equipamentos.
“Ser geek tem a ver com o gosto e facilidade que uma
pessoa tem para aprender sobre informática e tecnologia, e como nós gostamos de
tecnologia, temos uma atração para os gadgets,
como smartphones, notebooks e tablets. E eu assumo que não é barato”, disse.
OTAKUS E OTOMES - Mais do que um
estilo de vida: uma arte
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Fernanda
Suellen administra um grupo no
Facebook
voltado ao universo otaku roraimense
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Quem aí não lembra deChangeman, Jaspion, Cybercops, Spielvan, Jiraya, entre
outros do gênero tokusatso que
fizeram sucesso nos anos 80 e 90 na hoje extinta Rede Manchete? Ou o incrível
anime “Os Cavaleiros do Zodíco”, uma
febre até hoje e que abriu as portas para Dragon
Ball Z, Bleach, Naruto e muitos outros?
Fãs de materiais assim são chamados de Otakus
(ou ‘otomes’, se forem mulheres), que compõe a vertente dos nerds que gostam de
temas japoneses. E isso vai muito além de simplesmente gostar de anime ou vestir-se
como seu personagem favorito (o chamado “Cosplay”).
É considerada uma arte.
“Ser otaku
é um estilo de vida que agrega diversão, conhecimento e principalmente a arte.Sem
falar que nos ajuda conhecer novas culturas, outros povos. É uma maneira bem
simples de respeitar, conhecer e aprender um pouco mais sobre outra cultura
muito bonita e maravilhosa”, afirmou o estudante Elvis Sousa.
Fernanda Suelen Lins aprecia a cultura japonesa
desde criança e administra um grupo no Facebook chamado “Otakus, Cosplayers e Gamers”, atualmente
com 115 membros. Ela afirma não ver sentido na discriminação por parte dos
‘leigos’ no universo otaku, uma vez que o Brasil é culturalmente pluralizado.
“Acho que não tem que ter motivos para discriminação.
Cada um tem o seu gosto e sabe o que quer. Eu sou do tipo de pessoa que vê mais
futuro em animes do que em novelas.Pelo
menos, a maioria dos animes dá lições de vida, e quanto às novelas, se garota
pobre casar com um cara rico, isso é lição de vida”, disse.
Vale lembrar que em Roraima há dois eventos anuais
voltados a esse seguimento. Um é o Getsu Anime Fest, cuja edição deste
ano está prevista para agosto, e o Fantasy No Sekai, que revolucionou
em 2011 trazendo o dublador Robson Kumode e campeões mundiais de Cosplay.
“Roraima ainda tem que valorizar muito os otakus.
Creio que mais da metade da população não sabe o que é um cosplayer,por exemplo”.
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Cosplay (fantasias de personagens
famosos) é um dos elementos mais cultuados no universo otaku
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GAMER - Diversão e
cordialidade, acima de tudo
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Felipe
Nascimento já participou de campeonatos
de
games até fora de Roraima
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Desde os anos 80, o video-game tem sido um dos
acessórios favoritos da molecada. Passaram por nossas vidas Atari, Master Systen, Mega Drive,
Nitendo, até chegar aos atuais jogos
para computador (PC), consoles e o
dinâmico X-Box. Tudo isso é “oxigênio” para os gamers, que volta e meia
estão participando de alguma competição importante de jogos.
Felipe Nascimento, 18 anos, começou a jogar aos
cinco anos, quando ganhou seu SuperNitendo. Passou então para o Playstation 1 e
não parou mais. Já participou de uma série de campeonatos de games, inclusive
fora de Roraima. Para ele, os aspecto social é o que mais rege sua vida, já que
através dos jogos passou a conhecer novas pessoas.
“Ser gamer
hoje em dia envolve uma boa socialização com outros gamers, por existirem jogos
onlines em q você mantém contato sempre com outras pessoas. Já chegou a me
atrapalhar por um tempo, mas foi porque eu exagerei um pouco na dose diária dos
jogos”, disse.
Mas para ser gamer,
tem que fincar os pés no chão e não se prender ao universo mostrado nos jogos. “Eu
procuro sempre manter um relacionamento equilibrado com o mundo lá fora e com o
mundo virtual dos games. Muitas pessoas veem os gamers como pessoas que não
pretendem seguir uma carreira, que só querem saber de ficar em um lugar
fechado, cercado de tecnologia e games, quando na realidade, não é nada isso”.
Por Fábio Cavalcante (@Fabiocbv)
* Texto publicado originalmente no jornal Roraima hoje, em 25.05.2012
Category: Cosplay, Facebook, Gamers, Geeks, Nerds, Otakus, Otomes, Sheldon Cooper, The Big Bang Theory







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